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Mensagem de blogue por Fórum PME

As perspetivas das PME para 2023

As perspetivas das PME para 2023 


Otimismo na dinâmica dos negócios, reforço da inovação e das equipas, quer em novos recrutamentos, quer em formação e motivação dos colaboradores, são as principais reações das PME portuguesas, obtidas pela Scoring, através do barómetro empresarial “Perspetivas das PME para 2023”. 

Através das mais de 500 respostas válidas, sobretudo de CEO, Gestores e Empreendedores, está claro que a pandemia ficou para trás e que as empresas estão muito focadas em desenvolver as suas atividades, contando, sobretudo, com os seus pontos fortes, mais do que com eventuais oportunidades externas (designadamente fundos comunitários, entre outros). Neste estudo, a inflação surge como uma das principais ameaças para o próximo ano.


2023: Crescimento da atividade económica das PME

Uma das conclusões iniciais deste barómetro empresarial, revela que o ano pós-covid-19 e de arranque da Guerra na Ucrânia (2022) correu melhor que o anterior (2021), sendo que apenas 9,6% dos participantes responderam ter sido pior. Com base nestes resultados, pode afirmar-se que os efeitos da covid-19 já passaram e que os efeitos da Guerra não afetaram a dinâmica empresarial das PME Portuguesas.


Para reforçar essa conclusão inicial, que é uma das principais deste barómetro, é de salientar que as PME portuguesas perspetivam 2023 como um ano de crescimento do volume de negócios, demonstrando uma forte resiliência, confiança nas suas capacidades e nas posições que conseguiram cimentar nos respetivos mercados. É sobretudo onde atuam que as PME vão concentrar o seu foco para crescer: mais de 45% das PME acredita que o mercado onde atua vai crescer e mais de 60% considera realizar investimentos na área de Marketing e Vendas para os mercados internos, contra 25% que irá investir no mercado da exportação.

Embora se mantenha a pouca audácia, sobretudo no que respeita às exportações, a confiança é um fator fulcral, para o desenvolvimento dos negócios, e as PME portuguesas afirmam essa confiança neste barómetro. Um excelente sinal para o ano que agora se inicia.



Inovação e Pessoas: eixos fundamentais para o desenvolvimento 

Para sustentar esta perspetiva de crescimento, existem dois eixos fundamentais: inovação e pessoas.

Mais de metade das empresas participantes no barómetro empresarial indicou que vai lançar novos serviços/produtos em 2023. De acordo com Porter, as empresas podem adotar uma de três estratégias possíveis para se tornarem competitivas: preço, diferenciação e segmentação. 

A aposta constante no preço baixo apresenta o risco permanente de outro concorrente poder fazer ainda mais baixo. É fundamental o lançamento constante de novos produtos/serviços, para diferenciar a oferta ou para poder chegar a nichos de mercado mais exigentes. Esta estratégia não só faz aumentar o valor acrescentado das empresas, como permite reduzir o impacto dos concorrentes. Como afirmou Bill Gates (Microsoft), se não formos capazes de criar permanentemente uma oferta concorrente e competitiva aos nossos serviços/produtos, alguém o fará por nós.



Outro eixo fundamental, em que as PME vão apostar, é o reforço das suas equipas: mais de 42% vai reforçar as suas equipas, contra apenas 2% que vai proceder a reduções no quadro de pessoal.

Além deste reforço quantitativo, destaca-se, como veremos mais à frente, para a principal prioridade de investimento em 2023, a formação e a motivação dos colaboradores. Isto é, reforçar a equipa em quantidade, mas também em competências e em produtividade.



Incentivos e investimento público fora da agenda da maioria das PME

Os participantes do barómetro não consideram a intervenção do Estado para apoiar as PME uma oportunidade.

As empresas não veem os incentivos públicos ou os projetos e investimentos públicos como uma oportunidade, possivelmente por falta de informação ou por sentirem que estas alternativas continuam a ser ineficientes e dificilmente chegam às suas empresas.

 

Prioridades de investimento para 2023

É ainda de salientar, como conclusão deste barómetro, que a principal prioridade de investimento das PME, para 2023, é a formação e motivação das suas equipas.

Trata-se de um investimento fundamental para manter as empresas aptas a adaptar-se aos desafios constantes no que respeita à inovação permanente nos mercados, à transformação digital, entre outros. Os custos, de ter quadros na empresa sem formação adequada ou que não são capazes de entender a estratégia e as transformações que são exigíveis pela gestão da mesma, são sempre incomparavelmente superiores aos da formação e benefícios daí decorrentes. Esta prioridade, dada pelas PME respondentes a este inquérito, é sinal desta realidade e deixa bem patente a necessidade desta aposta.

A motivação também é um fator cada vez mais essencial. Há uns anos, valorizava-se muito o QI (Quociente de inteligência), que deu lugar ao QE (Quociente emocional). Hoje, a complexidade e a flexibilidade que as empresas necessitam, requerem pessoas com fortes capacidades de adaptação e uma atitude de disponibilidade para os desafios permanentes que se colocam diariamente. E estes novos ambientes de trabalho necessitam de programas de motivação ativa, que reforcem o bem-estar físico e intelectual, assim como o espírito de equipa. O “vestir a camisola”.

Como foi referido anteriormente, em 2023 a maioria das PME vai aumentar ou manter o seu quadro de pessoal e sente, cada vez mais, necessidade de recursos humanos qualificados nas respetivas áreas técnicas/operacionais, para satisfazer e dar resposta os seus clientes, com maior eficácia e qualidade. Além disso, considera que precisa de apostar nas suas equipas comerciais/apoio ao cliente, de forma a apresentar os seus atuais e novos produtos/serviços e a obter o crescimento desejado, concretizando os seus objetivos para 2023.


Quais as maiores ameaças para 2023?

Dada a conjuntura de 2022, as empresas identificam a inflação, a instabilidade internacional e os custos das matérias-primas como as principais ameaças para 2023. Fatores que não conseguem controlar.

Apesar de todas as incertezas, e da mudança das perspetivas económicas e consequentemente das perspetivas de negócio, as empresas estão confiantes e o Banco de Portugal aponta um crescimento de 1,5%, em 2023.




ESG e transformação digital: visão das PME

Como é possível verificar no quadro relativo às prioridades de investimento, a sustentabilidade/ESG e a Transformação Digital/TI não estão no topo da agenda para 2023.

A Sustentabilidade/ESG é um tema muito em foco na atualidade da gestão. A sigla ESG, deriva das palavras, em inglês, “Environment, Social and Governance”, que traduzidas para Português significam, “Ambiente, Social e de Governança”. É uma metodologia (framework) que permite às empresas definirem a sua estratégia e as práticas de gestão, com vista a conduzir a empresa para a sua sustentabilidade a longo prazo, contribuindo igualmente para a sustentabilidade do planeta (ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, promovido pela ONU). 

Como se vê, assenta em três pilares: ambiente (redução da pegada ecológica e preservação do ambiente); social/pessoas (políticas de equidade, não discriminação, segurança e saúde no trabalho, trabalho digno, etc.) e governação da organização (transparência da gestão, combate à corrupção, entre outros).

As empresas vão ter de adotar esta abordagem, por imperativos legais, cuja realidade efetiva está mais perto, ou pela denominada “licença social”, para poderem atuar no mercado.

Está provado que as empresas com melhores performances económico-financeiras investem mais nesta área da sustentabilidade, embora o inverso ainda não esteja demonstrado. Ainda assim, mais de 40% das PME deste painel considerou que é uma das maiores prioridades para 2023.

Relativamente à transformação digital, apenas pouco mais de 1/3 a considerou uma prioridade para 2023. Teríamos de ter mais dados para compreender esta resposta, que pode ser baixa, porque já fizeram os investimentos no passado e já estão mais preparadas. É um tema que está a ser trabalhado pelas empresas, há alguns anos, tendo havido inclusive incentivos para a modernização nesta área, nomeadamente através do Portugal 2020 e outros programas de incentivos. 

Há, aqui, um certo otimismo e confiança que costuma ser característica dos empresários e gestores. Ser otimista ou pessimista não significa resultados diferentes. Contudo, os otimistas têm mais predisposição para desafios. 

É sabido que a confiança é um dos principais fatores inerentes à atividade económica, pelo que este barómetro é um excelente indicador daquilo que as PME nacionais pretendem encarar em 2023.





       Carlos Gouveia                  Paulo Novais

             (CEO Scoring)         (Especialista em Estudos de Mercado)

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